• Causas

Com o estilo de vida actual, em que cada vez trabalhamos mais e temos menos tempo para passar com os nossos animais de estimação, estes acabam por ficar sozinhos durante muitas horas.

 

No caso dos cães, estes, por serem animais de matilha, que necessitam de uma família que os faça sentir seguros, não lidam bem com a solidão.

 

Por outro lado, muitas pessoas estabelecem relações tão fortes com o seu cão, como se fossem seus filhos (estando sempre juntos, dormindo juntos,…), que acabam por criar uma dependência extrema do animal em relação a si e vice-versa. Estes cães ficam tão dependentes dos seus donos que não conseguem ficar sozinhos em casa.

 

Algumas das causas para o desenvolvimento da ansiedade de separação podem ser:

  • Ter sido retirado da mãe precocemente;
  • Maus-tratos ou abandono por parte de um dono anterior;
  • Ter passado muito tempo sozinho enquanto era pequeno;
  • Mudança do estilo de vida do dono;
  • Alteração do agregado familiar;
  • Mudança súbita do ambiente ao qual estava acostumado;
  • Estadia prolongada ou traumática na casa de outra pessoa, num canil ou hotel;
  • Evento traumático ocorrido na ausência do dono (tempestades, explosões, assaltos,…).

 

A ansiedade de separação não é especifica de determinadas raças, mas ocorrer normalmente em cães mais ansiosos, agitados e hiperactivos.

 

  • Sinais de ansiedade

Os cães que sofrem de ansiedade de separação percebem quando o seu dono está para sair, pois memorizam a sua rotina antes de o fazer, e nessa altura, tremem e pedem a sua atenção, pulando, choramingando, seguindo-o insistentemente.

 

Na ausência do dono manifestam os seguintes comportamentos:

  • Comportamentos destrutivos (escavar, arranhar, morder objectos pessoais, móveis, portas e janelas);
  • Vocalizam em excesso (uivos, latidos, choros);
  • Urinam e defecam em locais inapropriados;
  • Sentem-se sós, aborrecidos e em stress. Ficam de tal forma deprimidos, que não comem nem bebem água enquanto o dono não retornar.

 

No caso de estes sinais se manifestarem na presença do dono, não se trata de ansiedade de separação.

 

Com a chegada do dono, o cão fica extremamente excitado, saudando-o mais efusivamente que o habitual.

 

  • Prevenir

A  prevenção desta perturbação começa no dia 1, sendo importante que a aquisição de um novo animal seja feita numa altura em que tem bastante tempo disponível, para que este ganhe confiança e se sinta seguro, antes de ser deixado sozinho muitas horas.

 

Deve-se também treiná-lo a ficar sozinho, inicialmente durante períodos curtos e recompensando-o com mimos sempre que se porte bem.

 

  • Minimizar

Não se devem castigar estes cães, pois isso pode levar a que aumentem os comportamentos indesejados. É importante compreender que estes comportamentos não são propositados, mas sim uma resposta ao stress que sentem, resultante da ausência do dono.

 

Algumas das formas de minimizar estes comportamentos passam por:

  • Deixar o cão menos tempo sozinho, arranjando-lhe companhia, humana ou animal (por exemplo, contratando um pet sitter);
  • Levar o cão à rua antes de sair, para fazer as necessidades e deixá-lo cansado;
  • Alterar a rotina antes de sair de casa, para que o cão não perceba que vai sair;
  • Se o cão tem comportamentos destrutivos, dar um osso para ele roer 5 minutos antes de sair, para que a sua atenção fique focada neste;
  • Deixar a televisão ou o rádio ligados para que o animal tenha a sensação de não estar só;
  • Começar a habituar o cão a alguns momentos de ausência.

 

  • Tratamento

O tratamento deverá ser realizado por profissional especializado, que fará um levantamento de todo o histórico comportamental do animal, de modo a diagnosticar se de facto se trata de ansiedade de separação, e desenhará um protocolo de modificação comportamental adequado.

 

Se o diagnóstico confirmar ansiedade de separação, a primeira etapa do tratamento consiste em perceber qual foi o motivo que levou o animal a desenvolver a perturbação e identificar os estímulos que reforçaram este comportamento.

 

É então necessário alterar esses estímulos reforçadores, devendo o dono modificar a sua rotina antes de sair de casa e após a sua chegada, ignorando o cão enquanto este estiver excitado e só lhe dar atenção ou comida quando já estiver calmo.

 

Deverá haver uma mudança da relação do dono com o cão. O dono deve compreender como funciona o processo de aprendizagem dos cães e seguir à risca o protocolo e as indicações do profissional.

 

Será também necessário fazer treino de obediência e aumentar a actividade física do animal.

 

O processo passa por ensinar o cão a suportar a ausência do dono, inicialmente durante pequenos intervalos de tempo (inferiores a 30 min), de duração aleatória, para que o cão entenda que ele irá voltar, e ir aumentando o tempo gradualmente. Estes intervalos devem ter uma duração que permita que o dono volte antes que o cão manifeste comportamentos ansiosos.

 

Paralelamente, pode-se dessensibilizar o cão aos movimentos que o dono faz, que lhe indicam que este vai sair, ou seja, o dono faz todos os passos que normalmente realiza quando vai sair (calçar, apanhar o telemóvel e as chaves, aproximar da porta…), mas sem sair de casa. Pode-se também realizar o contra-condicionamento, treinando o cão a permanecer calmo enquanto o dono realiza estes movimentos.

 

Deixar a TV ou o rádio ligados para diminuir a sensação de solidão, e/ou deixar-lhe um brinquedo para se entreter, são dois exemplos de atitudes que podem ajudar o animal a associar positivamente o período em que está só.

 

Para diminuir a dependência do animal em relação ao dono, este deve ignorá-lo durante alguns períodos. Deve impedi-lo de dormir na sua cama e, progressivamente, ir afastando-o da mesma, até que ele consiga dormir fora do quarto, inicialmente com a porta aberta, e por fim com a porta fechada. Pode ser difícil para o dono, mas é essencial para que o animal ganhe confiança (percebendo que nada de mal lhe irá acontecer) e aprenda a sentir-se seguro quando não tem o dono perto.